Reverência ou Relevância?

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

"Você foi chamado para ser um orador? Então fale como se o próprio Deus estivesse falando através de você. [...] (1 Pedro 4:11)

Parece que para alguns, mesmo na Igreja, se perdeu o “temor do Senhor”.

Houve um tempo em que, talvez em função das coisas serem "muito tensas", falava-se na Igreja em sussurros e risos raramente eram ouvidos. Mas hoje, muitas igrejas na tentativa de passar uma imagem de "legais", "atualizadas" ou "antenadas", perderam o foco.

Não estou sugerindo que tentem ser irrelevantes e chatas, mas a minha pergunta é: "Será que temos trocado a reverência pela relevância?"

Por exemplo: você tem visto pregadores falando nos mínimos detalhes sobre questões sexuais, que vão desde programas para ter "sexo todo dia, durante sete dias", até versões mais extremas em que falam de cima do púlpito, de maneira muito explícita, sobre atos sexuais específicos.

Há também a síndrome do "Pregador Xingador" - aquele pastor que acha legal usar palavrões no púlpito e que as pessoas vão vê-lo como um deles.

Isso tudo é realmente necessário? Acho que não.

Sou pastor há 35 anos. Nunca tivemos problema de alcançar o nosso público e ver as pessoas vindo para Cristo. Faço de tudo para ser real e autêntico, mas também subo no púlpito para falar a Palavra de Deus.

1 Pedro 4:11 diz: "Você foi chamado para ser um orador? Então fale como se o próprio Deus estivesse falando através de você."

Também nos é dito nas Escrituras para cuidar do que dizemos. Falando da língua, Tiago escreve: "Com a língua bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não pode ser assim!" (Tiago 3:9-10).

A arte de esquecer

Pôr os sentimentos de lado é permitir que a vida prossiga
esquecer
Ivan Martins, na Época
O livro mais triste que conheço sobre o amor se chama O legado de Eszter, do húngaro Sándor Márai. Quando o li, tive a sensação de que minha vida, como a da personagem, seria destruída pela esperança de um romance irrecuperável. Eszter espera pela visita do grande amor do passado, que a salvará de uma existência de solidão e vergonha. Eu esperava pelo retorno de uma mulher que nunca voltou.
Lembro o livro, o período e a dor como partes de um mesmo corpo. A prosa límpida e hipnótica de Márai ligava a vida da mulher no início do século XX à minha, que se desenrolava às vésperas do século XXI. As personagens e as palavras dele deram àquele momento as cores de uma profunda melancolia, mas a tingiram, ao mesmo tempo, de uma estranha lucidez. Lembro-me de pensar, de forma um pouco dramática, que afundava de olhos abertos.
Fui procurar ontem o livro na minha estante e descobri que não está mais lá. Sumiu, assim como o afeto inextinguível que eu sentia. Alguém levou meu livro embora, ou se esqueceu de devolvê-lo. O tempo dispôs silenciosamente da minha paixão. Diante disso, me ocorre que esquecer é uma bênção – ou uma arte, a aprimorar meticulosamente ao longo da vida. Pôr pessoas e sentimentos de lado é permitir que a existência prossiga.
Não há nada que eu gostaria tanto de ensinar aos outros e a mim mesmo como a capacidade de deixar sentimentos para trás. Olho ao redor e vejo gente encalhada como barcos na areia. Homens e mulheres. Esperam pelo passado, embora a vida se espraie em possibilidades à volta delas. Precisam de tempo para se recuperar, mas carecem de luz. Necessitam entender que a dor – embora inevitável – não constitui uma virtude, nem mesmo um caminho. Tem apenas ser superada, para que o futuro aconteça.
A Eszter de Márai vive encarcerada no universo moral e jurídico legado a ela pelo século XIX. Mulher, seu destino era ligado às decisões de um homem, Lajos. Ela espera porque não tem meios de agir. Ser corrompida pela esperança e pelo perdão é o que lhe resta. Sua posição na sociedade consiste numa espécie inexorável de destino.
Não há, no mundo em que vivemos, uma jaula social correspondente aessa. Fazemos nossas escolhas no interior de amplos limites existenciais. Somos inteiramente responsáveis por nossos sentimentos, ou ao menos pelas atitudes que tomamos diante deles. Se decidimos ficar e esperar, se permitimos nos tornar o objeto passivo das manipulações ou indecisões alheias, não há um Lajos a quem acusar.
Ainda assim, construímos prisões mentais à nossa volta. Prisioneiros de uma noção ridícula de amor do século XIX, quando ainda não havia liberdade pessoal, imaginamos que o amor é único e eterno – e que perdê-lo equivale a perder a vida, como um trem que passasse uma única vez numa estação deserta. Nada mais longe da realidade. Nossa vida se abre desde o início em múltiplas possibilidades e se desenvolve em companhia de inúmeras pessoas. Alguns terão papéis importantes e duradouros. Outros serão passagens breves e luminosas, como uma tarde de verão. Todos, com uma ou outra exceção monumental, veremos partir. Nós mesmos iremos embora em incontáveis ocasiões. Nos restará o desapego, como antes só restava a Eszter a resignação.
Por isso, a arte de esquecer é essencial. Ela me parece a mais moderna das sabedorias sentimentais, aquela que mais permite mover-se no mundo como ele é, não como nos fizeram crer que ele seria. Nesse mundo haverá sexo, haverá paixão e, às vezes, haverá amor. É provável que haja desencontro e ruptura e que sejamos forçados a começar de novo, sozinhos. Esse é o ciclo da vida como ela se apresenta no século XXI. Nele, deixar para trás e esquecer é tão essencial quanto reconhecer e se vincular. Consiste no nosso legado sentimental. Ele começou a ser elaborado por tipos rebeldes nos anos 60 e continua a ser refeito hoje em dia. Nada tem a ver com o legado de Eszter, embora este ainda nos ensine e nos comova.

Farsa na pesquisa DataFolha?

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Não sou especialista em estatística, mas sei fazer contas. A veiculação no FB de que a pesquisa do Datafolha é farsa me chamou a atenção e resolvi fazer as contas. 
Parece até besteira dar ouvidos a este tipo de acusação, mas fui às fontes. Primeiro pesquisei no site do TSE:http://www.tse.jus.br/eleitor/estatisticas-de-eleitorado/consulta-quantitativo
Quantidade de eleitores por região Agosto - 2014
Abrangência Quantidade
CENTRO-OESTE 10.238.050
NORDESTE 38.269.533
NORTE 10.801.178
SUDESTE 62.041.794
SUL 21.117.307
TOTAL 142.822.046
Depois, pesquisei e achei esta página com os dados da pesquisa Datafolha por regiões, realizada no dia 20out2014, site:http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1535592-com-sudeste-e-voto-feminino-dilma-vai-a-52-no-datafolha.shtml
Votos Totais por regiões com correspondentes votos por candidato, fazendo valer os dados da pesquisa Datafolha.
SUDESTE
Aécio: 49% = 30.400.482
Dilma: 40% = 24.818.720
SUL
Aécio: 51% = 10.769.827
Dilma: 33% = 6.968.711
CENTRO-OESTE
Aécio: 48% = 4.914.264
Dilma: 39% = 3.992.840
NORDESTE
Aécio: 27% = 10.332.774
Dilma: 64% = 24.492.501
NORTE
Aécio: 39% = 4.212.459
Dilma: 55% = 5.940.648
Total de votos
Aécio: 60.629.806 = 42.4% dos 142.822.042 votantes
Dilma: 66.211.420 = 46.4% dos 142.822.046 votantes
Na verdade, a pesquisa Datafolha dá quase 1% a mais para o candidato Aécio (43%). Portanto, a acusação de FARSA é no mínimo desleal.

Vamos atravessar para o outro lado

"Então perguntou aos seus discípulos: 'Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?'" (Marcos 4:40)


Um dia no mar da Galileia, Jesus disse a Seus discípulos "Vamos atravessar para o outro lado" (Marcos 4:35). Quando eles estavam fazendo a travessia, uma enorme tempestade veio do nada - o que era uma ocorrência comum naquele grande lago de água doce. Os marinheiros experientes ficaram aterrorizados com os ventos com a força de um furacão que os atingia e com a água entrando no barco.

Apesar do mau tempo, Jesus conseguiu dormir. Mas os discípulos não puderam mais se conter. Acordaram Jesus dizendo: "Mestre, não te importas que morramos?" (verso 38). O que é realmente um pouco acusador, mas era a maneira que se sentiam.

Eles estavam basicamente dizendo: “Senhor, Você está mesmo ciente do que estamos enfrentando agora? Por que Você permite isso?”

Como costumo dizer: "até se pode perguntar os por quês, contanto que não espere por uma resposta". Melhor chorar de angústia para Deus do que se voltar para Ele com raiva.

Jesus acordou e repreendeu a tempestade e também a eles, perguntando-lhes: "Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?"(verso 40) Ou literalmente, “Por que vocês são tão tímidos, medrosos? 

Jesus estava dizendo: “Rapazes, vocês não aprenderam nada?”

Perceba que Jesus disse “Vamos atravessar para o outro lado!” Ele não disse “Vamos nos afogar no meio do Mar da Galileia!”

Ele não prometeu uma navegação suave ou um mar de rosas, mas prometeu uma passagem segura.

É melhor estar numa tempestade com Jesus do que em qualquer outro lugar sem Ele.

Ou num forno de fogo – pergunte a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Ou na jaula dos leões – pergunte a Daniel. Ou numa prisão – pergunte a Pedro. Ou numa tempestade novamente ou até mesmo naufragado – pergunte a Paulo.

Soli Deo Gloria

Domingos Massa

A PASTORAL URBANA E A CONSTRUÇÃO DA PAZ, A EVANGELIZAÇÃO NA CIDADE E O DESAFIO DA VIDA COMUNITÁRIA.

Por Domingos Massa

“Procurai a paz da cidade, para a qual fiz que fôsseis levados cativos, e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz.” (Jeremias 29:7)

Ao se refletirmos um pouco sobre a pastoral urbana e a construção da paz e a evangelização na cidade e o desafio da vida comunitária, temos que levar em consideração os elementos que constituem a formação e desenvolvimento e evolução das cidades, assim neste contexto ela torna-se objeto especial de estudo, tanto do ponto de vista filosófico como da sua concepção de planejamento urbano, como da sua ocupação pelos seres humanos como do religioso. 

Assim passamos a estudar e refletir sobre sua organização espacial e social e religiosa; o homem desde que se conhece como homem, tem a religião como centro de suas atividades; portanto a religião de fato constitui com todo o seu conjunto de símbolos e dogmas o conjunto mais elevado do pensamento humano, dentro do qual o homem vive, se exprime e se comunica  e se relaciona consigo mesmo, com os outros e com Deus.

É dentro deste processo de evolução da “urbes nostra” que nasce o Cristianismo dentro da era da civilização urbana, assim tem sua origem na Cidade e procura fazer da cidade o seu centro de desenvolvimento, construindo-as dentro de um repertório arquitetônico e com uma estrutura urbana, social e espiritual com características próprias, com o processo de evolução da urbanização, da mecanização, industrialização isso se acelera e promove um crescimento acelerado rapidamente principalmente no Brasil, e com grandes migrações da vida do campo  para a vida urbana, gerando grandes problemas sociais. 

Notadamente no campo religioso conforme afirma Grings existe necessidade de se repensar as ações da pastoral urbana não com um sentido de pesar ou desilusão, mas no sentido de descobrir o que ali há de novo e qual é, neste contexto, a missão da Igreja. Sendo preciso evangelizar também a Cidade.
Assim temos que refletir sobre o que aconteceu com as cidades nas últimas décadas em todos os sentidos, pois com a conurbação e o crescimento desordenado, questiona-se sobre a unidade da cidade e qual é a sua essência? Qual a cidade ideal para o homem viver nela? Quais são os desafios que a pastoral urbana enfrenta para uma vida comunitária que proporcione a evangelização no processo de construção da paz?

Portanto não restam duvidas sobre a grande diversidade que nos deparamos dentro das cidades em seus contextos culturais, sociais, econômicos, humanos e principalmente os espirituais devendo este último ser o objetivo da pastoral urbana existindo cada vez mais a premente necessidade de evangelizar a cidade, não apenas como individuo ou pessoas isoladas, mas como Povo de Deus, que vive dentro de certo contexto de diversidade, necessitando portanto  que se descubra a alma da cidade e agir sobre ela como agentes de transformação social para assim através da evangelização transformar a cidade como um todo.

Desde os primórdios do cristianismo através da pessoa de Jesus que consolida a sua Igreja em Jerusalém de onde ele se espalha pelo mundo “[...] mas recebereis poder quando o Espírito Santo vier sobre vós e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria até os Confins da Terra.”(At. 1.8). E a partir dali a evangelização começa a se fazer presente nas cidades, onde Jesus aconselha os seus discípulos dando a seguinte ordem “Se vos perseguirem numa cidade fugi para outra. Em verdade vos digo, não acabareis de percorrer as cidades de Israel antes que volte o Filho do Homem.” (Mt.10.23)

Consequente com a rápida industrialização e o crescimento desordenado provocado pelo êxodo rural observado nas últimas décadas, existe a necessidade de se melhorar as condições de vida dos seus habitantes através do diálogo e de ações integradas no âmbito da cultura, sociedade, politica e religião.

O caminho para esta compreensão passa necessariamente pela capacidade de dialogar.  Dialogar consigo mesma, seu passado e futuro. O que foi e o que será; o realizado e o por realizar; sua herança e seu legado. E mais, deve também ter a capacidade de dialogar com outras forças sociais e políticas dispostas a ombrear nos desafios comuns 

Olhando para trás e dialogando consigo mesma a presença protestante no Brasil nestes três séculos, principalmente nas mais recentes celebrações democráticas, desejamos permanentes, acumulou experiências. Entendeu, na proclamação da República, que o estado deve ser laico.

Lançando o olhar para frente.  Construir uma sociedade justa, fraterna e que reflita os valores do reino de Deus não é tarefa exclusiva de uma força social, política ou religiosa. Todos os poderes, legitimamente constituídos, que desejam esta sociedade, devem somar esforços, vencer preconceitos, superar vaidades, enfim dialogar. 

A construção desta sociedade humana, justa, ética e solidária que ansiamos desafia a igreja evangélica brasileira a articular fé e diálogo. Compromisso com Deus e disposição de ser agente de transformação

Portanto o Evangelho de Cristo tem algo a dizer para nossa cidade. Ele nos diz claramente que é possível viver nela, mas precisamos refletir e aprender a eliminar uma série de problemas que os próprios homens criaram nela. Notadamente não haveremos de alterar a forma que foram construídas ou planejadas, isso é um contra senso, mas devemos nos empenhar para que  que a vida humana não seja uma vida sem esperança e sem nexo, para que possamos experimentar a uma vida em abundância e uma paz que excede a todo o entendimento e vivermos dentro de um contexto afirmativo na sociedade.

Soli Deo Gloria

Domingos Massa

Tornar-se Criança

Jesus disse que ninguém pode entrar no reino dos céus se não se tornar como uma criança. A imagem que surge na mente dos adultos, quando ouvem esta afirmação de Jesus, é a da pureza infantil, da inocência, da dependência -- virtudes que poucos adultos desejam. Assim, a conclusão lógica a que qualquer um chegaria é que poucos deles entrarão no reino dos céus. 

A infância, para muitos adultos, é apenas uma lembrança -- boa para uns, ruim para outros. É raro encontrar um adulto que demonstre interesse, por menor que seja, em ser como uma criança. Os poucos que o demonstram, o fazem por razões românticas, não reais. O interesse do adulto pela inocência ou pureza quase sempre é confuso e infantilizado. É também raro encontrar um adulto que, de fato, queira ser dependente. Pode até querer se convencer de suas limitações, mas dificilmente abrirá mão do controle de seu destino. 

Ao tomar uma criança como exemplo daqueles que entrarão no reino dos céus, Jesus não tem em mente as imaginações românticas que nós, adultos, temos da infância. Mesmo porque o reino dos céus não será herdado por adultos infantilizados. Maturidade e crescimento são evidências esperadas na vida daqueles que seguem a Cristo. 

Ao tomar uma criança como exemplo, Jesus nos ajuda a corrigir uma compreensão equivocada que temos da virtude da humildade. Os discípulos discutiam entre si qual deles seria o maior no reino dos céus -- conversa típica de adulto. No meio desta discussão, Jesus toma uma criança e diz que quem se humilhar como ela -- este, sim -- será o maior no reino dos céus.

Tornar-se criança não é transformar-se em um adulto infantilizado; é aprender o significado da humildade, sem a qual ninguém entrará no reino dos céus. Tornar-se como criança é reconhecer a condição de filho e de filha. Ser humilde como uma criança é reconhecer-se como criatura. A natureza humana frequentemente inverte esta relação. O prazer mais natural de uma criança é agradar seus pais. Humildade é agradar aquele (ou aqueles) a quem amamos. Não se trata de uma virtude que se conquista com atitudes modestas ou com a negação de elogios. Ela se desenvolve na medida em que cresce em nós a consciência de quem somos diante do Criador.


É curioso notar como a fronteira entre a humildade e o orgulho é estreita. Ser elogiado por ter feito algo bom nunca foi um pecado. É legítimo o prazer que sentimos ao agradar alguém a quem amamos. O prazer maior de qualquer cristão será ouvir a voz do Salvador dizer: “Muito bem, servo bom e fiel…” -- um elogio que nos encherá de prazer por termos agradado aquele a quem mais amamos. 

Porém, o elogio pode se transformar em uma fonte de prazer em si mesmo. Neste caso, não se procura agradar a pessoa amada, mas sentir-se valorizado e importante. O polo é invertido: é a criatura assumindo o lugar do Criador. É neste ponto que o adulto deixa de ser criança e torna-se infantil.

Tornar-se criança significa reconhecer a condição de criatura e saber que nada nos alegra mais do que agradar o Criador. É por isso que Jesus nos ensina a entrar no quarto, fechar a porta, para aprender a orar. Orar em público, faz da oração facilmente um fim. Ouvir elogios dos outros nos faz sentir que somos “bons na oração”, enquanto que orar secretamente no quarto nos leva a experimentar a recompensa que vem de Deus. Aprendemos a orar por causa dele e não por nossa causa. Desejamos agradá-lo e não a nós.

Somente os humildes entrarão no reino dos céus. A verdadeira fé não é fazer grandes coisas em nome de Deus, mas viver de forma a agradá-lo. Não é isto que os pais esperam de uma criança? Tornar-se criança é viver liberto da tirania da vaidade, da busca insana pela autorrealização, da necessidade infantil de ser admirado e reconhecido. Tornar-se criança é experimentar a alegria de viver para aquele que nos criou e agradá-lo.

Quer louvar-te um ser humano, parte minúscula de tua criação. És tu mesmo que lhe dás o impulso para fazê-lo, assim ele se sente feliz ao louvar-te. Pois para ti nos criaste, e inquieto é nosso coração, até que chegue a descansar em ti. (Agostinho, “Confissões”)

Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.

Ministério pastoral vocação ou profissão?

...Acredito que muitos pastores anônimos que deixaram exemplos imprescindíveis e que os seus nomes jamais serão lembrados contribuíram para uma igreja que permaneceu forte, e sem se contaminar com este mundo.....

O tempo passou e tão nobre vocação evoluiu além da estratosfera. Profissionalizou-se para o “bem” da Própria Igreja.

Um final de semana “sobrenatural” e a exemplo de um “car wash” nasce um grande líder.

Um cursinho básico de manual de auto-ajuda e após três meses a graduação Pastoral.

Como metade da igreja se tornou líder e a outra metade Pastores alguém precisa ser graduado a Bispo..... (mais será que as pessoas já descobriram as atribuições bíblicas para tal consideração?)

E nesta escala de mandatários alguém precisa declarar uma Unção Especial que possa e deva fazer a grande diferença, eis o “APÓSTOLO” só nos falta agora o titulo de “Archangelum thronus”, bem que não estamos muito longe disto, pois os Patriarcas estão ressuscitando dentre os mortos...

Embora eu não possa e nem deva generalizar tal afirmativa, sabe-se que nesta gama de ministros, muitos que assim procedem, o fazem em decorrência a sua simplicidade ou pela ingenuidade em consequência ao profundo desconhecimento das escrituras. (Deus não leva em conta o tempo da ignorância).

Mais tudo isto é compreensível, pois o único conhecimento da palavra que a “igreja” vem sendo sujeitada se resume unicamente as letras das músicas mascaradas pelos grandes Shows Gospels.


obs:- transcrito conforme o original por Sérgio Renato Scheunemann.

"Por isso o povo foi ás ruas. Por isso a Dilma foi vaiada"

O Respeitável jornalismo da CNN americana vê assim as manifestações no Brasil (texto traduzido):

O que REALMENTE está por trás das manifestações no Brasil?

Os protestos que vêm ocorrendo no Brasil vão além do aumento de R$ 0,20 na tarifa dos transportes públicos.
O Brasil está experimentando atualmente um colapso generalizado em sua infraestrutura. Há problemas com portos, aeroportos, transporte público, saúde e educação.

O Brasil não é um país pobre e as taxas de impostos são extremamente altas. Os brasileiros não veem razão para uma infraestrutura tão ruim quando há tanta riqueza tão altamente taxada.

Nas capitais, as pessoas perdem até quatro horas por dia no tráfego, seja em automóveis ou no transporte público lotado que é realmente de baixíssima qualidade.
O governo brasileiro tem tomado medidas remediadoras para controlar a inflação apenas mexendo nas taxas e ainda não percebeu que o paradigma precisa compreender uma aproximação mais focada na infraestrutura.

Ao mesmo tempo, o governo está reproduzindo em escala menor o que a Argentina fez há algum tempo atrás: evitando austeridade e proporcionando um aumento com base em interesses da taxa Selic, o que está levando à inflação alta e baixo crescimento.
Além do problema de infraestrutura, há vários escândalos de corrupção que permanecem sem julgamento, e os casos que estão sendo julgados tendem a terminar com a absolvição dos réus.

O maior escândalo de corrupção da história do Brasil finalmente terminou com a condenação dos réus e agora o governo está tentando reverter o julgamento usando de manobras através de emendas constitucionais inacreditáveis: uma, o PEC 37, que aniquilará os poderes investigativos dos promotores do ministério público, delegando a responsabilidade da investigação inteiramente à Polícia Federal. Mais, outra proposta busca submeter as decisões da Suprema Corte Brasileira ao Congresso – uma completa violação dos três poderes.

Estas são, de fato, a revolta dos brasileiros.

Os protestos não são movimentos meramente isolados, unificados ou badernas de extrema esquerda, como parte da imprensa brasileira afirma. Não é uma rebelião adolescente. É o levante da porção mais intelectualizada da sociedade que deseja pôr fim a esses problemas brasileiros. A classe média jovem, que sempre se mostrou insatisfeita com o esquecimento político, agora “despertou” – na palavra dos manifestantes.

A CEGUEIRA DOS GOVERNANTES

Inacreditável a cegueira da classe política brasileira nas esferas municipal, estadual e federal. Diante do movimento que se alastra pelo país, eles dizem não entender o que querem os manifestantes e buscam lideranças com as quais possam negociar. Será que eles ainda não descobriram nem entenderam que a única liderança se chama POVO? Que não é preciso achar ninguém para negociar? Basta apenas dar ao POVO o que ele precisa e merece: Educação, Saúde, Segurança, Transporte decente, Estradas e Portos para escoamento da produção etc. E, acima de tudo, reverter em favor da população o que é pago em impostos, os mais elevados do mundo! Fazer uma Reforma Política digna do nome, acabar com a corrupção e ladroagem que assola o país, acabar com o superfaturamento das obras públicas, com a impunidade dos políticos e dos poderosos, criar leis mais duras, que os criminosos de colarinho branco paguem efetivamente pelos seus crimes e não somente os desvalidos sejam atirados nas masmorras. Senhores políticos, acordem e vejam que esse movimento tem sim um líder: O POVO BRASILEIRO!

10 Estratégias de Manipulação - Por Noam Chomsky

1-A estratégia da distração. O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais (citação do texto "Armas silenciosas para guerras tranquilas").

2-Criar problemas e depois oferecer soluções. Esse método também é denominado "problema-ração-solução". Cria-se um problema, uma "situação" previsa para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam sejam aceitas.Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.

3-A estratégia da gradualidade. Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A estratégia de diferir. Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como "dolorosa e desnecessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrificio imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente.Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5-Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade.A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais.Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por quê? "Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou ração também desprovida de um sentido crítico (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")".

6- Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão.Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos...

7-Manter o público na ignorância e na mediocridade.Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas").

8- Estimular o público a ser complacente com a mediocridade.Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

9-Reforçar a autoculpabilidade.Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo se autodesvalida e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E sem ação, não há revolução!

10- Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem.No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência geraram uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.

Fonte: Argenpress, reproduzido por Adital

Como saber se a pessoal teve um encontro com Deus?

Como perceber que alguém é o que de fato diz ser? Como saber se aquela pessoa realmente teve um encontro com Deus?

Uma sociedade baseada em aparência, facilmente se deixará enganar por aqueles que ostentam uma piedade de fachada. Basta que o sujeito use meia dúzia de jargões religiosos, e pronto. Já enganou metade das pessoas do seu convívio.

Escrevendo a Tito, Paulo denuncia os que "professam conhecer a Deus, mas negam-no pelas suas obras, sendo abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra" (Tt.1:16).

Discursar sobre teologia não significa conhecer a Deus. Tive um professor no seminário que se dizia ateu. E aí?

Tempo de casa também não significa nada. Conheço gente que abraçou a fé há tão pouco tempo, mas que já conhece a Deus com mais profundidade do que alguns que nasceram e foram criados no ambiente da igreja.

Então, como podemos inferir se alguém conhece ou não a Deus, ou ainda, se é um cristão legítimo ou um fake? Do ponto de vista de Deus, não há qualquer problema. Afinal de contas, "O Senhor conhece os que são seus" (2 Tm.2:19a). Mas do ponto de vista do lado de cá, só há uma maneira de saber quem de fato conhece a Deus:"Qualquer que profere o nome do Senhor aparte-se da injustiça" (v.19b).

Vamos tentar entender melhor isso através de uma passagem não muito conhecida do Antigo Testamento:

"Eram os filhos de Eli, filho de Belial; não conheciam o Senhor" (1 Sm.2:12).

Como pode alguém ser filho do Sumo-sacerdote, e não conhecer a Deus? Nem sempre filho de peixe, peixinho é. Embora fossem filhos de Eli, aos olhos de Deus eram filhos de Belial (nome usado no AT em referência a Satanás).

Como o escritor sagrado chegou à esta conclusão? Vejamos o relato:

"Ora, o costume desses sacerdotes para com o povo era que, oferecendo alguém um sacrifício, estando-se cozendo a carne, vinha o moço do sacerdote com um garfo de três dentes na mão ( o famoso ‘tridente’). Metia-o na caldeira, ou na panela, ou no caldeirão, ou na marmita, e tudo o que o garfo tirava, o sacerdote tomava para si. Assim faziam a todo o Israel que ia a Siló” (vv.13-14).

Este era o meio de subsistência dos sacerdotes. Eles se dedicavam integralmente ao culto, e dependiam das ofertas para sobreviver. Porém, havia um protocolo a ser seguido.

“Mas antes mesmo de queimarem a gordura, vinha o moço do sacerdote e dizia ao homem que sacrificava: Dá essa carne para assar ao sacerdote; ele não aceitará de ti carne cozida, senão crua. Se lhe respondia o homem: Queime-se primeiro a gordura, e depois tomarás o que quiseres, então ele lhe dizia: Não, hás de dá-la agora; se não, tomá-la-ei à força. Era muito grande o pecado destes moços perante o Senhor, pois desprezavam a oferta do Senhor” (vv.15-17).

De acordo com o protocolo, a carne dos animais sacrificados deveria ser colocada no caldeirão, até que a gordura se queimasse, e assim, o sacerdote meteria seu garfo e retiraria a sua parte. Mas a gordura tinha que queimar.

Os filhos de Eli não tinham paciência de esperar que a gordura se queimasse. A gordura representava a melhor parte, e esta pertencia ao Senhor. Mas eles não se satisfaziam com a parte que lhes cabia no caldeirão.

Eles foram enredados pela mesma proposta feita pela serpente ao primeiro casal no Éden. Abocanharam o que pertencia exclusivamente a Deus.

Quem conhece a Deus, ama a justiça e foge da injustiça.

Justiça é dar a cada um o que lhe é de direito. A Deus o que é de Deus, a César o que de César, ao empregado o que é direito seu, ao patrão, idem, ao cônjugeC a sua parte (1 Co.7:3-5), e assim por diante.

Em vez de lutar por lucro, quem conhece a Deus luta por justiça. Não importa quem vai ficar com a melhor parte do bolo, desde que isso seja justo.

Nas palavras do apóstolo, “dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo, a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra. A ninguém devais coisa algum, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros” (Rm.13:7-8a).

Dar honra é o inverso de querer tirar vantagem.

O que denunciava que os filhos de Eli eram na verdade “filhos de Belial”, e, portanto, sacerdotes fakes, era o fato de quererem tirar vantagem em tudo, até daquilo que pertencia ao Senhor.

É claro que temos direitos, porém o direito alheio vem sempre em primeiro lugar. Temos que esperar a gordura queimar, para tirar o que é nosso. É disso que Paulo fala em Romanos 12:10: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-os em honra uns aos outros.” Ser cordial é ceder a vez, é por o interesse do outro acima do nosso, como nos orientou Paulo em outra passagem: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade, cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (Fp.2:3-4).

Sempre haverá um caldeirão diante de nós, e nossa postura ao metermos nosso garfo vai revelar de quem somos filhos.

É simples assim:


“Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão” (1 Jo.3:10).

Soli Deo Gloria

Domingos Massa
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