segunda-feira, junho 27, 2016

Como Limpar a Sua Consciência?


"Mantendo a fé e a boa consciência que alguns rejeitaram e, por isso, naufragaram na fé." (1 Timóteo 1:19)

Imagine que de repente você sinta um cheiro ruim na sua casa. Conforme você anda pela casa procurando a sua fonte, o cheiro fica cada vez mais forte. Então você abre a porta do seu closet, e ali está: um rato morto que você pegou numa ratoeira. O que você deve fazer para se livrar do cheiro? Você se livra do rato. Simples assim. Quando o rato for embora, o cheiro irá com ele.

Então se no caminho da vida, a nossa consciência nos incomoda e a culpa nos esmaga, como podemos nos livrar disso? Nós não desativamos a culpa ou simplesmente tentamos ignorá-la. Nós chegamos à sua fonte. O que a sua consciência está lhe dizendo? Para o que a culpa está apontando? Está apontando para um pecado. E para nos livrarmos da culpa, devemos nos livrar do que a está produzindo, que é o pecado. Então você confessa o seu pecado. Hebreus 10:22 diz: "Sendo assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada e tendo os nossos corpos lavados com água pura."

Podemos dar outros nomes para o pecado, como "erro" ou "pequena falha", mas Deus ainda vai chamá-lo de pecado. Então por que não damos o mesmo nome? Somos lembrados em 1 João 1:9: "Se confessarmos nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar nossos pecados e nos purificar de toda injustiça."

Somente Jesus pode perdoar pecados e tornar a nossa consciência sensível novamente. Ele morreu na cruz do Calvário e derramou o Seu sangue por cada um de nós. Então chame o seu pecado de pecado (o que ele realmente é) e pare de dar desculpas.
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sexta-feira, junho 24, 2016

Salmo de um peregrino


Quão grandes e imensuráveis são as nuvens do céu, quão profundos são os oceanos em sua expansão, quão longas são as estradas do mundo por onde os homens vão e voltam, pois os meus pecados são maiores que tudo isto perante o Deus dos céus e da existência, seja esta visível ou invisível, como poderia eu me achegar ao pai de toda a vida, eu que sou pior do que uma carcaça que esta em estado de apodrecimento, que em toda a sua vida levou sua existência breve a uma enlouquecida e perdida batalha contra a soberania do Eterno.

Ó quão grandes são estes meus pecados que me esbofeteiam de dia e de noite, que me fazem estar em profundos pesadelos à noite e de dia fazem com que meu coração acelere e que meu corpo seja afligido e sinta as dores dos resultados mortíferos de tal desvio de caminho, e agora Senhor, para onde vou? Onde encontrarei paz e mansidão? Se até a sua palavra muitas vezes eu rejeitei.

Para onde vou, pois estou cego e tropeço pelos caminhos errantes em que ando, ó Senhor, eu andei chorando onde nenhum dos meus irmãos pode ver, andei chorando dentro de mim mesmo, pois estou com essa pedra solida esmagando minha vida, ó Senhor Deus ponha em mim a vontade de seguir-te e então eu te seguirei, mas não porque eu quero te seguir, pois de mim apenas o mal emana, mas de ti agraça soberana.

Ó pai celestial lembra-te do sacrifício do teu filho na cruz, que nasceu sem pecado e doador de vida, que me fez abrir os olhos para tamanha miséria que sou, pois eu o vi, e ele soprou em mim e vivi, e sobrevivi com tal sopro, pois ele soprou em mim a vida que eu não tinha, sua vida foi destinada a mim quando eu estava já morto.

Ó Jesus meu santo e amado salvador que sangrou pela minha vida e dos meus irmãos, que resplandeceu a luz salvadora do amado criador, que retirou meu espirito condenado do vale dos amaldiçoados, pois tu mesmo desceste aos profundos abismos infernais para buscar os filhos do amado pai, Ó eterno salvador do qual mãos e pés e corpo foram feridos e moídos pela minha vil e pecadora presença, tu és a revelação visível do tão amado e invisível pai eterno.

Ó bendito Espirito de Deus, o qual pelo sacrifício eterno de Cristo foi soprado em minha vida, pois tu provem do próprio pai, amado como o filho, assim és, Espirito que me leva pela santa palavra de Deus, que me guia, que ora por mim, que me consola, que me ajuda, me impulsiona, que me cura, que me guarda, que me ama, que fala através de mim, que me utiliza para a tão grandiosa e eterna obra do reino do altíssimo.

E eu tão pecador e miserável que sou pela grandiosa graça de Deus, sou habitado e sou morada da santa e amorosa unidade trina que governa todo o universo, ó santo criador, tenho me perguntado ,como tu ainda habitas em tão vil e maldoso ser que sou? pois Tu viste os meus pecados, tu os vês!  De dia e de noite eu sou perfurado por dentro devido a tão asquerosas praticas carnais que ainda faço, para mim não existe esperança sem a existência de tão graciosa unidade celestial.

Pois eu bem sei que o dia vira em que tu pela sua graça modificaras esse desgraçado pecador, e então finalmente eu serei feliz e ensinarei aos não instruídos sobre sua santa palavra, pois da minha boca sairá à palavra de salvação aos que de antemão tu já separaste para ti, pois somente por ti é que estes poderiam vir, então seremos um só povo em um só sentido e guiados por um só Espirito que é Santo e amoroso e bondoso, único e verdadeiro, ó Deus triuno que revelou a nós os pequenos e miseráveis pecadores o mistério da soberania do amor por meio de seu filho, a ti e tão somente a ti sejam dadas as primícias existentes de nossas vidas, pois te adoramos para sempre, adoramos a tua santa e sublime palavra a qual conhecemos o filho do amor, e que por esta palavra somos guiados pelo Espirito vivificador e conselheiro eterno.

Ao eterno e soberano Deus, que de eternidade a eternidade é adorado, sejam dadas as honras, e glorias para sempre, amém.

Escrito Por: Gerson Welder Rodrigues Poças.
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Uma consciência cauterizada


"Então Herodes e os seus soldados ridicularizaram-no e zombaram dele. Vestindo-o com um manto esplêndido, mandaram-no de volta a Pilatos." (Lucas 23:11) 

Falemos sobre oportunidade. Herodes manteve aprisionado o maior de todos os profetas do Antigo Testamento: João Batista. Ele poderia tê-lo disponível 24 horas por dia, mas mandou matá-lo e até mesmo decapitá-lo. Pior ainda, mais tarde ele esteve diante do Deus encarnado, o Criador do universo em forma humana, o próprio Jesus Cristo. Mas Herodes se interessava somente pelos milagres de Jesus. Herodes poderia ter aberto o seu coração, confessado os seus pecados, encontrado perdão e sensibilizado a sua consciência cauterizada, mas não o fez. E Jesus não fez milagres para ele.

Lemos em Lucas 23:11 que Herodes, mostrando seu verdadeiro caráter, juntamente com seus soldados "ridicularizaram-no [Jesus] e zombaram dele. Vestindo-o com um manto esplêndido, mandaram-no de volta a Pilatos." Herodes rejeitou a Cristo por medo de uma mulher, por medo de sua reputação, e por causa do seu trono. E Cristo rejeitou a Herodes, porque Herodes foi além do ponto onde não havia mais volta.Jesus, sendo Deus, podia ver o coração de Herodes. Ele podia ver o quanto ele era fútil. A ironia é que Herodes parecia temer a todos e a tudo. No entanto, devido à sua falta de temor a Deus, Herodes condenou a sua alma para sempre. Foi a morte de sua consciência.

Como isso acontece? Como uma consciência morre? Isso se faz aos poucos. Você sabe que algo está errado. Sua consciência lhe incomoda, e você tenta se livrar disso. Você pensa: "Como faço para desligar isso? Como posso silenciar isso? Onde está o botão de mudo? Não quero ouvir mais nada."

Em seguida, com o passar do tempo, fica mais e mais difícil ouvir a sua consciência. Como se diz: "Quando um homem não ouve a sua consciência, geralmente é porque Ele não quer o conselho de um estranho."
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quinta-feira, junho 23, 2016

Pós em Ciências da Religião promove 3º Seminário Internacional Pentecostais, Teologia e Ciências da Religião

O Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião, com apoio do Grupo de Estudos de Protestantismo e Pentecostalismo (GEPP) – PUC/SP do curso de Teologia da Faculdade Unida de Vitória e da Faculdade Refidim de Joinville, promove o 3º Seminário Internacional Pentecostais, Teologia e Ciências da Religião, que acontece entre os dias 17 e 19 de agosto, das 9 às 18h, no campus Rudge Ramos.
Nesta edição o tema central será “Participação e Contribuição das Mulheres no Movimento Pentecostalismo, Ontem e Hoje – Limitações, Oportunidades e Possibilidades”, e tem como objetivo colocar em debate o papel preponderante das mulheres na emergência, expansão e consolidação do movimento pentecostal em suas diferentes manifestações, desde o seu início até os dias de hoje.
O Seminário contará com palestras de professores da Metodista e de docentes de instituições do exterior, como a professora doutora Melissa Archer, da Southeastern University, e Cheryl Bridges Johns, docente de Discipulado e Formação Cristã no Seminário Teológico Pentecostal da Igreja de Deus, em Cleveland, Tennessee.
Interessados em apresentar suas pesquisas devem enviá-las às coordenações dos grupos de trabalho até o dia 5 de agosto de 2016. Já para se inscrever como participante do evento é necessário preencher o formulário disponível aqui, também até dia 5 de agosto. Participantes que desejam receber certificado de participação deverão pagar uma taxa no valor de R$50.
Confira a programação completa do Seminário neste site.
3º Seminário Internacional Pentecostais
Data: 17, 18 e 19 de agosto de 2016
Tema: Participação e Contribuição das Mulheres no Movimento Pentecostalismo, Ontem e Hoje – Limitações, Oportunidades e Possibilidades
Horário: 9 às 18h
Local: Campus Rudge Ramos
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Relação obras completas de Giorgio Agamben Publicadas


A  -   OBRAS DE AGAMBEN PUBLICADAS NA ITÁLIA.
01. L'uomo senza contenuto, Milano, Rizzoli, 1970 (Macerata, Quodlibet, 1994)
02. Stanze. La parola e il fantasma nella cultura occidentale, Torino, Einaudi, 1979, reedição ed. Einaudi.
03. Infanzia e storia. Distruzione dell'esperienza e origine della storia, Torino, Einaudi 1979
04. Il linguaggio e la morte, Torino, Einaudi, 1982
05. La fine del pensiero, Paris, Le Nouveau Commerce, 1982
06. Idea della prosa, Milano, Feltrinelli, 1985 (Macerata, Quodlibet, 2002)
07. La comunità che viene, Torino, Einaudi, 1990
08; Bartleby, la formula della creazione, Macerata, Quodlibet, 1993, com Gilles Deleuze 
09. Homo sacer. Il potere sovrano e la nuda vita, Torino, Einaudi, 1995
10. Mezzi senza fine. Note sulla politica, Torino, Bollati Boringhieri, 1996
11. Categorie italiane, Venezia, Marsilio, 1996
12. Image et mémoire, Paris, Hoëbeke, 1998
13. Quel che resta di Auschwitz. L'archivio e il testimone, Torino, Bollati Boringhieri, 1998
14. Il tempo che resta, Torino, Bollati Boringhieri, 2000
15. L'aperto. L'uomo e l'animale, Torino, Bollati boringhieri, 2002
15. L'ombre de l'amour, Paris, Rivages, 2003 (con Valeria Piazza)
16. Stato di Eccezione, Torino, Bollati Boringhieri, 2003
17. La potenza del pensiero. Saggi e conferenze, Neri Pozza, 2005.
18. Profanazioni, Nottetempo, 2005
19. Che cos'è un dispositivo?, Nottetempo, 2006
20. L'Amico, Nottetempo, 2007
21. Ninfe, Torino, Bollati Boringhieri, 2007
22. Il regno e la gloria. Per una genealogia teologica dell'economia e del governo. Homo sacer. Vol 2/2, Neri Pozza, 2007
23. Che cos'è il contemporaneo?, Nottetempo, 2008.
25. "Il sacramento del linguaggio. Archeologia del giuramento", 2008
26. Signatura rerum. Sul Metodo, Torino, Bollati Boringhieri, 2008
27. Angeli. Ebraismo Cristianesimo, Islam, a cura di E. Coccia e G. Agamben. Vicenza, Neri Pozza, 2009
28. La Chiesa e il Regno, Roma, Nottetempo, 2010
29. La ragazza indecibile. Mito e mistero di Kore (con Monica Ferrando), Milano, Electa Mondadori, 2010.
30. Altissima povertà. Regola e forma di vita nel monachesimo. Homo sacer. Vol 4/1, Vicenza, Neri Pozza, 2011
31. Opus Dei. Archeologia dell’ufficio. Homo sacer. Vol 2/5, Torino, Bollati Boringhieri, 2012

B  - OBRAS DE AGAMBEN PUBLICADAS NO BRASIL E EM PORTUGAL
01. A Comunidade que Vem. Tradução de António Guerreiro. Lisboa: Presença, 1993.
     A Comunidade que Vem. Tradução de Claudio Oliveira. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013.
02. Homo Sacer: O Poder Soberano e a Vida Nua. Tradução de António Guerreiro. Lisboa: Presença, 1998.
      Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua I. Tradução de Henrique Burigo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002.
03. Fim do Pensamento. Tradução de Alberto Pucheu Neto, 7 Letras, Rio de Janeiro, 2004.
04. Estado de Exceção. Tradução de Iraci Poletti. São Paulo: Boitempo, 2004.
05. Infância e História: destruição da experiência da história. Tradução de Henrique Burigo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005.
06. Linguagem e Morte: um seminário sobre o lugar da negatividade. Tradução de Henrique Burigo, Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2006.
07. Estâncias: a palavra e o fantasma na cultura ocidental. Tradução de Selvino Assmann. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007.
08. Profanações. Tradução de Luísa Feijó. Lisboa: Cotovia, 2006; Tradução de Selvino Assmann. São Paulo, Boitempo, 2007.
09. O que resta de Auschwitz. Tradução de Selvino J. Assmann. São Paulo: Boitempo, 2008.
10. Escrita da Potência. Tradução de Pedro A.H. Paixão e Manuel Rodrigues. Lisboa: Assírio & Alvim, 2008.
11. “O Aberto. O homem e o animal". Tradução de André Dias e Ana Bigotte Vieira. Lisboa: Edições 70, 2011.
       O Aberto – o homem e o animal. São Paulo: Editora Civilização Brasileira, 2013.
12. O sacramento da linguagem. Arqueologia do juramento. Tradução de Selvino José Assmann. Belo Horizonte: UFMG, 2011.)
10. Ideia da Prosa. Tradução, prefácio e notas de João Barrento. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012.
12. O Homem Sem Conteúdo. Tradução, notas e posfácio. Claudio Oliveira. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012.
13. Opus Dei: Arqueologia do Oficio: homo sacer, II,5. Tradução Daniel Arruda Nascimento. São Paulo: Boitempo, 2013.
14. A Potência do Pensamento. Lisboa: Relógio d´agua, 2013.
15. "O que é o contemporâneo? e outros ensaios." Tradução de Vinícius Nicastro Honesko. Chapecó - SC: Argos, 2009.  Obs.: Nesta coletânea estão os textos: O que um dispositivo; O que é o contemporâneo; O Amigo
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Uma consciência que funcione!

"O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos, que têm a consciência cauterizada" (1 Timóteo 4:1-2)


Arthur Conan Doyle, autor dos famosos romances de Sherlock Holmes, era um pouco brincalhão. Um dia, em uma brincadeira, ele escreveu uma nota rápida e enviou-a para 12 de seus amigos mais próximos. A nota dizia: "Fuja agora! Tudo foi descoberto!" Em 24 horas, todos os seus 12 amigos tinham deixado o país.

A consciência é um pouco como um alarme; nos adverte do perigo iminente. Às vezes, somos tentados a ignorar ou até mesmo desativar alarmes, porque não queremos ouvi-los. O alarme de incêndio na minha casa só dispara às 3:00 da manhã, avisando que a bateria está fraca. É muito tentador desconectá-lo para não mais ouvi-lo.

Mas se a nossa consciência está trabalhando, se estiver nos lembrando que algo que dissemos ou fizemos está errado, isso é uma coisa boa. Queremos uma consciência tenra, uma consciência que funcione corretamente. Não devemos tentar desativá-la, e certamente não devemos querer que ela enfraqueça, porque a Bíblia adverte que podemos cauterizar a nossa consciência como com um ferro quente (ver 1 Timóteo 4:1,2). Isto significa ter uma consciência insensível e dura.

Cada um de nós tem uma consciência dada por Deus. Como Romanos 2:14-15 nos diz: "De fato, quando os gentios, que não têm a lei, praticam naturalmente o que ela ordena, tornam-se lei para si mesmos, embora não possuam a lei; pois mostram que as exigências da lei estão gravadas em seus corações. Disso dão testemunho também a consciência e os pensamentos deles, ora acusando-os, ora defendendo-os".

Precisamos ensinar a nossa consciência como funcionar corretamente. Devemos educá-la com eficácia com a Palavra de Deus para que realize o que deveria realizar segundo o projeto do nosso Criador.
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quarta-feira, junho 22, 2016

Respostas as desculpas para quem não gosta de ler!

As pessoas que não gostam de ler usam sempre as mesmas  Eis minhas respostas para cada uma delas:
“AH SOU MUITO OCUPADO”
Resposta: Usamos o tempo de acordo com nossas predileções e necessidades. Ler não é importante para você, ou reservaria um bom momento só para isso.
“ACHO CHATO”
Resposta: Chato vai ficar o seu papo se você não começar a ler.
“ACHO DIFÍCIL”
Resposta: Ler é um exercício como qualquer outro. Comece por um livro fácil e vá subindo de nível.
“NÃO ACHO GOSTOSO”
Resposta: Ler não é sempre uma delícia, pois dá trabalho, ainda mais para quem não tem o hábito. Mas saiba que a sua força de vontade diante da superação das dificuldades ou da compreensão daquilo que você não conhece é parte do resultado de quem você é.
“EU SOU MUITO AGITADA”
Resposta: Procure um livro agitado que nem você. Ou tente se acalmar para ler. Existem remédios naturais que podem acalmar você sem tirar o seu foco. Busque ouvir seus próprios batimentos cardíacos. Abra um livro, saia de dentro de você e deixe seu coração bater no ritmo da história. Pronto, você e o livro serão um só e seu agito já não será assim tão importante.
“ EU NÃO GOSTO DE LER POIS É COISA DE NERD”
Resposta: Você é muito preconceituoso e isso pode ser um sintoma de falta do hábito de leitura.
“NÃO TENHO O HÁBITO DA LEITURA”
Resposta: Quando você tiver um filho, vai querer que ele tenha esse hábito. Então comece a ler agora para dar exemplo.
“EU JÁ LEIO REVISTAS E JORNAIS”
Resposta: Parabéns! Isso também é leitura. Mas é um tipo de leitura mais objetiva. Desenvolva a subjetividade lendo artigos, crônicas, contos, poemas, novelas e romances. E o mais importante: aprenda a fazer relações de ideias entre os textos lidos.
“SOU TRAUMATIZADO, ODIEI A MINHA EXPERIÊNCIA DE LEITURA NA ESCOLA”
Resposta: As Escolas estão mudando os seus padrões de pensamento sobre a leitura obrigatória. E você ? Já mudou o seu ?
“EU NÃO LEIO NADA A NÃO SER A BÍBLIA”
Resposta: A Bíblia é um livro fantástico. Mas com certeza você não leu esse livro, ou pelo menos não entendeu suas simbologias, pois essa obra costuma aguçar muito a curiosidade do leitor sobre assuntos na esfera filosófica, social e artística. Além do mais a própria Bíblia diz que devemos buscar a sabedoria e o conhecimento, então busque e acrescente novas leituras.
“EU NÃO SEI LER’
Resposta: Entre na alfabetização. Existem escolas espalhadas pelo País que atendem crianças, jovens e adultos com a mesma demanda. E lembre-se: não adianta nada aprender o alfabeto e continuar não entendendo o significado das palavras. Então mãos a obra, pois você tem um longo caminho a percorrer.
“EU NÃO SEI QUE LIVRO LER”
Resposta: Liberdade sem escolha é cativeiro. Você precisa ser cativo do que te cativa! Para conhecer a obra, analise a capa, o título, as orelhas; abra o livro, cheire-o e leia a biografia do autor. Busque ler sobre assuntos que você gosta. Mas também tente se aventurar em outros temas.
“ EU GOSTO DE FAZER OUTRAS COISAS”
Resposta: Você não precisa ser um expert em leitura. Basta dividir seu tempo entre as atividades. Equilíbrio é fundamental.
“NÃO EXISTEM LIVRARIAS NA MINHA CIDADE”
Resposta: Você já ouviu falar em compras pela internet ?
“EU TENHO BAIXA VISÃO”
Resposta: Você não é o único. Muitos têm olhos saudáveis e padecem do mesmo mal. Busque recursos de leitura para deficientes visuais. Você poderá não ter acesso a todos os livros, mas poderá ler se quiser. E a leitura ampliará a sua visão, pelo menos a sua visão sobre a vida e o mundo.
“LIVROS COSTUMAM TER MUITAS PÁGINAS”
Resposta: Claro, afinal, ele é um livro. Se não gosta de livros longos, leia os curtos. Você perceberá que tem livros que são pequenos na forma porém com um grau de complexidade maior dos que os livros grandões. Esqueça as páginas e se apegue ao conteúdo. Lembre-se: a aparência distrai, a essência conquista.
“EU SOU MUITO VISUAL E LEITURA NÃO É VISUAL”
Resposta: Leitura é exercício totalmente visual. A verdade é que você tem preguiça de imaginar, ou ainda não consegue fazer isso como gostaria. Aprenda !
“NÃO ACHO IMPORTANTE”
Resposta: Antes da invenção da imprensa, a memória e a experiência eram os atributos mais importantes do ser humano. Hoje é o conhecimento e o talento de lidar com o diferente. A leitura te dá as duas coisas !
“LIVRO É CARO”
Resposta: Se você não pode comprar um livro caro, compre um mais barato ou de segunda mão, ou peça emprestado na biblioteca. Se preferir , entre no site http://www.dominiopublico.gov.br e baixe livros de graça na internet.
“EU ME PERCO NA HISTÓRIA”
Resposta: Que delícia! Adoro me perder dentro da história. Faz parte! É como na vida! Mas no livro você não precisa ter medo de se perder. Siga em frente, se perca mais vezes e quem sabe um dia você não se encontra, não só no livro como na vida.
“MINHA FAMÍLIA NÃO ME DEIXA LER SOSSEGADO”
Resposta: Você está colocando sua felicidade no colo dos outros. Não faça isso ! Defenda a sua individualidade com unhas e dentes e reserve um espaço, um horário e um livro só para você.
Como se vê não há desculpa que justifique não ler. Isso vale para nós Educadores e para nossos Alunos também.
Abraços,
Roseli Brito
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Paul Tillich: Quem foi, sua teologia e uma aplicação para a atualidade


CAPÍTULO 1: A Biografia de Paul Tillich

Paul Tillich é geralmente considerado um dos mais excelentes pensadores e influentes do século XX. Após ensinar teologia e filosofia em várias universidades alemãs, ele foi para os Estados Unidos em 1933 devido às ameaças de Hitler, uma vez que este já se encontrava no poder. Após muitos anos sendo professor de Teologia Filosófica na Union Theological Seminary na cidade de Nova Iorque, Tillich passa a ser professor da Harvard University. Os livros que ele publicou foram: Teologia Sistemática; A coragem de ser; Dinâmica da Fé; Amor, Poder e Justiça; Moralidade e Além; e Teologia de Cultura.

Nascido na Prússia (hoje pertencente à Polônia, a pouquíssimos quilômetros da fronteira com a Alemanha), 1886, muda-se com seu pai para Berlim, onde dá início aos seus estudos universitários. Em 1910, consegue seu título de doutor em filosofia, e em 1912 licencia-se em teologia em Halle, com duas dissertações.1

No início de sua vida adulta, Tillich se viu obrigado a participar da 1ª Guerra como capelão. O século XX, que se iniciava de forma tão trágica e obscura, fez com que muitas pessoas, inclusive Tillich, passassem a pensar mais sobre sua existência aqui na Terra. A Guerra deixara muitos feridos e doentes, dos quais Tillich tinha a responsabilidade de antevir com sua patente. Diversas vezes Tillich passava pelo mesmo caminho até o hospital. Porém, em um dia qualquer, Tillich passava perto da sombra de uma árvore, quando percebeu que muitos soldados estavam rindo e zombando do Deus dos cristãos, após lerem algumas frases do livro “Assim falou Zaratustra” de Nietzsche. Em tais passagens os soldados descobriram que Deus já não mais era um Ser Vivo, pois Nietzsche conseguiu mostrar que isso não era um fato entre os humanos.2 Tal contemplação por parte de Tillich o levou a pensar melhor a posição na qual a Teologia se encontrava.3 Tal sede por explicações levou Tillich a dizer “A Teologia, que de duzentos anos para cá se encontra na infeliz, mas necessária situação de um defensor, que defende uma posição absolutamente indefensável e é obrigada a perder uma posição depois da outra, deve voltar ao ataque. [...] E ela haverá de vencer, porque a religião, como diz Hegel, é o princípio e o fim de tudo, e é igualmente aquilo que confere vida, animação e espírito a tudo”.4 

Tillich então se vê numa situação deplorável: Caso defenda a filosofia, passa a fazer parte de uma história “sem pé nem cabeça”. Caso resolva defender a teologia, passa a lutar contra sérios ataques da própria filosofia. E se porventura continue na Guerra, o risco de morte é muito grande. Contudo, Tillich preferiu defender a Teologia com o seu vasto conhecimento de Filosofia, o que lhe rendeu um grande reconhecimento na área da Teologia, apesar das críticas de muitos teólogos.

Diversos temas conceituados por Tillich são, na verdade, muito bem dissertados e bem polêmicos. Tillich optou por fazer uma releitura da história da Teologia não omitindo os ataques a esta e nem se isolando de um possível diálogo com os pensadores liberais. Tal polêmica desperta em muitos teólogos o sentimento de que Tillich foi nada mais nada menos que mais um “herege”. Todavia isso não passa de um simples ataque de alguém que não entendeu como se finalizou o fluxo que o pensamento ocidental tomou. Tillich não se preocupa com simplesmente dar respostas à Igreja, nem em dar respostas à Teologia Liberal, tão menos dar respostas a homens que na verdade são guiados à sua própria filosofia criada no mais obscuro e medonho “beco” de sua alma.

Voltando ao pensamento ocidental, Tillich afirma que todos os conceitos dados pela filosofia estão repletos de características gregas. Isto se dá porque a filosofia ocidental é totalmente grega, o que, para Tillich, limita demais o raciocínio sobre o Incondicionado5, já que, para Tillich, Deus jamais pode ser condicionado porque ele é ilimitado; criador dos limites.

Durante a 2ª Guerra Mundial, já nos Estados Unidos, Tillich fez programas de rádio contra o regime de Hitler, onde tentou consolar e despertar seus conterrâneos para a luta contra o ditador. Após trabalhar 18 anos no Union Theological Seminary, e de trabalhar na Harvard University, foi para a Universidade de Chicago, onde ficou pouco tempo até sua morte em 1965. Foi casado com Hanna Tillich e tiveram dois filhos.6

CAPÍTULO 2: Algumas abordagens teológicas de Paul Tillich

Antes de ser abordado aqui algo sobre Tillich, deve-se ser conceituado uma série de coisas para que então o pensamento dele seja compreensível e interessante para quem o pesquisa.

Tillich, por ser existencialista, busca uma explicação para as coisas; para o mundo e o universo, dando respostas à sua época levando em consideração a história que o antecede, bem como sua contemporaneidade. Logo, ao se levar em conta sua contemporaneidade, deve ser destacada que a sua época estava repleta de problemas teológicos. Esta mesma foi fortemente influenciada pelo Iluminismo, que por sua vez trouxe o liberalismo, a qual trouxe a “Crise” teológica. Movimentos surgem para estagnar o problema da Crise, mas de nada servem a não ser como “paliativos teológicos”. Aqui é usado este termo porque o que o cristianismo conseguiu foi simplesmente, ou se restringir, ou se abrir completamente ficando exposto a novos ataques, ou assumir posturas erradas durante sua caminhada. O que Tillich na verdade faz é assumir este terceiro ponto de forma radical. Por isso que o entendimento de seu raciocínio inicial é tão importante para entender o todo de seu raciocínio.

Sua caminhada teológica parte de uma estruturação simples: O que é religião? O que é a cultura? O que é Deus relacionado ao homem e vice-versa? São estas perguntas que trazem uma estrutura consistente norteiam parte de seu raciocínio. Na verdade, cada conceito é “amarrado” ao outro de forma que um e outro são completamente diferentes dos quais a história trabalhou insistentemente. E o que é mais perceptível é que a reflexão tillichiana busca duas formas de aplicações: (1) Redefinir o conceito de religião, uma vez que os seus antepassados “deturparam” completamente a idéia e a definição deste; e (2) mostrar a interdependência entre religião e cultura, no qual Tillich vai trabalhar o holismo entre ambas e combater o conceito mal dado às tais. Por fim, tudo se arremeterá ao “ser”, que diz respeito ao humano; à criatura.

A religião

O que se entende sobre religião hoje? Muito se fala de religião, mas o conceito de tal palavra fica a desejar muito das vezes. Segundo o dicionário Aurélio religião é:
1. Crença na existência de uma força ou forças sobrenaturais, considerada(s) como criadora(s) do Universo, e que como tal deve(m) ser adorada(s) e obedecida(s);
2. A manifestação de tal crença por meio de doutrina e ritual próprios, que envolvem, em geral, preceitos éticos;
3. Virtude do homem que presta a Deus o culto que lhe é devido;
4. Reverência às coisas sagradas;
5. Crença fervorosa; devoção, piedade;
6. Crença numa religião determinada; fé, culto;
7. Vida religiosa;
8. Qualquer filiação a um sistema específico de pensamento ou crença que envolve uma posição filosófica, ética, metafísica, etc;
9. Modo de pensar ou de agir; princípios.

Segundo o dicionário, estes são os possíveis significados para a palavra “religião”. Talvez fosse algo inquestionável para a época de Tillich, mas para este homem não havia nada no mundo que não havia como de não ser questionado.7 Isso é tão real que Tillich buscou compreender o conceito de religião juntamente com o de cultura confrontando com o conceito de sua época. Segue-se então o raciocínio:

Conforme Tillich, o fundamento do processo vital é regido por três momentos imanentes. No primeiro, ele coloca que a vida é como um pulsar/movimento. É como se o homem possuísse uma espécie de centro, mas esse permitisse certos movimentos que podem ser entendidos como “liberdade do ser”. Veja o exemplo abaixo:

A essência do ser humano foi abalada pelo pecado, o que o faz instável em si. Mas isso faz parte de sua liberdade. Conforme seu pensamento, a vida passa por momentos de identidade consigo, mudança-de-si e volta-para-si9. Levando em consideração que a figura acima é apenas um recurso visual para um melhor entendimento, nota-se que o homem, por mais que oscile em sua vida, jamais foge completamente do seu centro. É nesta e em outras características que Tillich se identifica com Schleiermacher; o fato do indivíduo ter uma espécie de sentimento de dependência. Mas não são idéias iguais, apenas comparativas.

O segundo momento é o da auto-produção ou auto-criação. Aqui o indivíduo corre em direção ao novo, pelo seu crescimento centrado pela criação de novos centros (no campo da cultura). Daí vem o terceiro momento que é a auto-transcendência, onde a vida supera a sua própria finitude na dimensão do espírito. Aqui entra o que ele chama de “universo de sentidos”, onde se manifestam a cultura, moralidade e religião.

O que se entende nisso tudo é que o homem é um ser livre, porém com limites impostos. É justamente onde Tillich fala dos três conceitos de lei que regem a vida do indivíduo: A primeira é chamada de Autonomia, que coloca o homem como aquele que tem leis próprias, enquanto portador da razão universal; a segunda, Heteronomia, que são leis fora do controle humano e que lhe é estranha e superior (contidas na Criação), uma vez que este é incapaz de agir segundo a racionalidade universal; e a Teonomia, onde o homem se vê submetido a uma lei superior, porém, que não lhe é estranha. Sintetizando, o homem é livre, mas no âmbito da criação. Um exemplo claro é a impossibilidade de se sair vivo após pular de um prédio de cem andares sem possuir equipamentos adequados para pouso. O homem é limitado, diferente do “incondicionado”.10

Uma pausa no conceito de religião para falar do conceito de cultura

O segundo passo, após entender como o homem foi criado e como este vive, é saber como se dá sua relação com o externo; com o mundo à sua volta. Segundo Tillich, tudo que foi criado não foge dos olhares de Deus, e nada, apesar de sua liberdade, foge da soberania de Deus. Aliás, Deus não é um ser. Porque a filosofia com que se trabalha a categoria do ser é grega, e a filosofia grega colocou o ser como algo que existe, e, segundo a filosofia grega, tudo que existe foi criado, e toda criatura é limitada. Logo, se se considerar Deus como ser, deve-se considera-lo como limitado e criado. Tillich considera Deus não como ser, mas como o “Além-do-Ser”. Por isso, tudo que o homem faz é para Deus, mesmo sendo ateu, agnóstico, gnóstico, budista, hinduísta, satânico, cético, cristão, não-cristão, etc. Portanto, “a religião é a substância da cultura e a cultura é a forma da religião”.11 O homem não consegue fugir de Deus, como já foi expresso por Tillich em seus sermões sobre o salmo 139.

Sintetizando cultura e religião e chegando a um senso comum

Como o último passo para se entender a religião em Tillich, o leitor de suas obras deve entender que, o homem vive para Deus, mesmo que este não aceite. Deus respeita sua liberdade de expressão, porém, não aprova aquilo que foge às suas normas (Teonomia). Então surge mais uma intervenção teológica de Tillich, que é caracterizar as culturas como formas de expressões humanas como um ato cúltico inato nos humanos. É como se fossem religiões no sentido que a contemporaneidade adota hoje. Com isso, Tillich afirma que não importa a religião, “dos demônios ou não”, tudo o que o homem faz é para Deus, pois este foi criado com um propósito que não deve ser invalidado. Observe a figura:


Todos os seres humanos são religiosos, até mesmo os ateus, pois adoram algo transcendente, quer seja em si mesmos, quer não. A religião é algo necessário e inevitável para o ser enquanto existente. E existir significa viver dentro dos padrões autônomos, heterônomos e teonômos propostos. Concluindo, Tillich afirma que “ser religioso significa interrogar-se apaixonadamente acerca do sentido de nossa vida e estar abertos às respostas, mesmo quando estas nos abalam profundamente”.12Então, a religião dá sentido e significado a todas as formas da cultura. Cultura e religião não são práticas separadas, mas distintas.

Mas talvez seja aqui que Tillich seja mais bombardeado pelos críticos, pelo fato de considerar o Cristianismo não como religião, mas como uma espécie de “veículo” que ajuda àqueles que querem ser religiosos. Ao afirmar isso, Tillich se coloca à mercê de críticas chegando a ponto de ser considerado apenas um especulador da teologia, onde, na verdade, o título do qual é merecedor é de “o criador da ‘Teologia do Diálogo’”, lembrando que esta trabalha entre a teologia neo-ortodoxa e racionalismo.

Então, ao se ter idéia sobre o que é religião e cultura em Tillich, o próximo passo, que é entender o conceito de ser no âmbito da ontologia nesse mesmo autor, fica mais compreensível. O próximo sub-título se deterá neste tema.

O conceito de “ser” em Tillich

O que se pode entender de ser? Este é um termo difícil de ser tratado, uma vez que a crise do ser humano é poder ser o que ele realmente é. Alguns ramos da teologia denominam o ser humano como pecador e totalmente depravado; a psicologia diz que o ser humano é, quando considerado normal pela sociedade, neurótico; e assim, diversas ciências caracterizam o ser humano segundo seus limites. O ser humano é um ser limitado. Por isso a vida do ser humano é algo conturbada.

Vida

Mas o que Tillich diz ser a vida para o ser humano? A vida é um processo vital de atualizações que denotam movimentos13 (violência) sem perder o foco, que é sua centralidade.14 Nessa centralidade se encontram a auto-identidade, auto-alteração, e volta para si mesmo. “Potencialidade se torna atualidade somente através desses três elementos no processo que chamamos vida”. O “ser” pode agregar em si diversas características, porém, em seu “ser” nunca poderá ser colocado ou retirado algo uma vez que o “centro é um ponto e o ponto não pode ser dividido”.15

O medo e a ansiedade

Mas o que Tillich trabalha é que quando, em uma dessas “viagens” do “ser”, o “ser” prefere não voltar para sua realidade de “ser” após ter encontrado valores na multiplicidade apresentada, passa então a sofrer crises, das quais, devido à fragilidade e dispersão em centralidade, começa a enfrentar o perigo de perder seu centro.16 Com isso surge a necessidade de conceituar medo e ansiedade, que são duas coisas que nascem após estas experiências. Para Tillich, o medo é criado e localizado em um objeto específico que pode ser enfrentado ou evitado. A ansiedade, por sua vez, não tem objeto, ou melhor, seu objeto é a negação de todo objeto. Ambos podem ser distinguidos e não separados.17Ainda no âmbito da ansiedade, Tillich destaca a ação do “não-ser”, que se manifesta como sendo uma espécie de antítese do “ser”, que são indissociáveis uma da outra, e que manifesta a ansiedade destacando o perigo da morte. Esse “não-ser” ameaça o homem em sua formação ôntica, tentando produzir a perda de significação no “ser”.

Ainda sobre o “não-ser”, Tillich destaca que o “não-ser” age como um juiz, pelo fato de ser o “não-ser” aquele que produz a razão de “ser”, e, além disso, ser o “não-ser” aquele que reclama a falta do “ser”. Sintetizando, todas as ações do “ser” são baseadas no que o “não-ser” dita. E o “não-ser” se pergunta sobre o que o “ser” fez ou deixou de fazer. O “não-ser” é responsável pelas suas próprias ações. Por isso, quando o “ser” se encontra em uma situação de desequilíbrio existencial, o “não-ser”, que foi o responsável pelo resultado alcançado começa a se questionar e a questionar o próprio “ser” de tais ações. Isso gera, segundo Tillich, o sentimento de culpa, pois o homem, como liberdade finita, é livre dentro das contingências de sua finitude.18 

A personalidade e a coragem de “ser”

Então, o problema da personalidade entra em questão. Pelo fato de o “ser” ser sempre questionado pelo “não-ser”, faz com que o “ser” venha construir uma realidade para si, que na verdade não se passa de uma auto-afirmação irrealística ou não realística. O ser não foi criado para viver em tal mentira, ou pelo menos ele não consegue fugir de seu centro. Isso faz com que o “ser” evite ser si-próprio, vivendo então, uma após outra, as irrealidades ou não-realidades que surgem. Portanto o “ser” passa a correr o risco de cair em um “ilimitado desespero” por negar sua auto-afirmação. O problema se agrava quando o “ser” não consegue se auto-afirmar, ou de simplesmente tentar se auto-afirmar. É aí que Tillich entra com sua conclusão de que todo “ser” deve ter a coragem de se auto-afirmar “a despeito de” contra tudo aquilo que o impede de afirmar seu eu. A valorização do “ser-em-si” faz com que o “ser” encontre a sua essência de “ser”. 

A coragem de ser, em todas as suas formas, tem por si mesma caráter revelador. Mostra a natureza do ser, mostra a que a auto-afirmação do ser é uma afirmação que supera a negação. Numa formulação metafórica, Tillich diz que ser inclui não-ser, mas o não-ser não prevalece contra ele. Não-ser pertence ao ser, não pode ser separado dele. A potência de ser é a possibilidade que um ser tem de realizar-se contra a resistência de outros seres. Se falamos de potência do ser-em-si indicamos que o ser se afirma contra o não-ser. Onde há não-ser, há finitude e ansiedade, o que equivale dizer que a finitude e a ansiedade pertencem ao ser-em-si.
No ato da coragem de ser, a potência de ser é efetivada em nós, quer o reconheçamos ou não. Cada ato de coragem é uma manifestação do fundamento do ser, não importando o quanto possa ser questionável o conteúdo do ato. O conteúdo pode esconder, ou distorcer, o verdadeiro ser, a coragem nele revela o verdadeiro ser. Não são os argumentos, mas a coragem que revela a verdadeira natureza do ser-em-si. A coragem tem poder revelador, a coragem de ser é a chave do ser-em-si.19

CAPÍTULO 3: Paul Tillich para os dias de hoje

Na atualidade, temas como religião, ecologia, cultura, diversidade, existência humana são temas altamente discutidos e têm ligação direta ou indireta com a teologia de Tillich. A pós-modernidade sofre com o mal da não-identidade, do sincretismo religioso não-pensado, da valorização do homem enquanto máquina de trabalho. Tudo isso acarreta problemas existenciais na vida de qualquer ser humano, uma vez que este nasceu para ser um ser limitado e não aquele que rompe limites. O limite do homem está na Cruz de Cristo. Isso é fato.

Em um mundo que prega que o homem deve ser aquilo que sonha faz com que os sonhos não realizados do homem se tornem uma espécie de “prisão”, o que impede este homem de viver a realidade proposta. Tillich mostra que ser verdadeiramente “eu mesmo” é sonhar, mas voltar para o lugar que originou o sonho. A vida apresenta movimentos de “vai-e-vem”, mas estes não podem ser estáticos. Deve-se ir e vir.

A atualidade vive a realidade (dita como sendo virtual) da internet. Jogos e mundos são criados neste dispositivo. Talvez seja mais uma fuga da realidade, que para o homem, se torna mais cômodo. Todavia isto não é bom, pois é fugir de si mesmo enquanto aquele criou tal rota de fuga. Isso é viver o “não-ser” como se fosse o “ser”; a essência de tudo. Aqui está o perigo.

Seria o mundo feito (criado) em convenções? Estas convenções, se realmente influem, norteiam os pensamentos e conceitos do mundo? Tillich questiona seriamente a idéia de que religiões são separadas. Segundo ele, satânico ou um crente praticam seus rituais efetivamente para Deus, uma vez que de Deus não se pode esconder ou mesmo se pode negar o mandato crucial do ser humano: Existir para a Glória de Deus. Não seria a cultura uma marca distinta da religião? A cultura não seria o reagir desta tese divina revelando as manifestações do homem a Deus e a si próprio? A contemporaneidade é marcada pela fala de Nietzsche que diz que a realidade é marcada e conceituada segundo a visão reducionista e limitada de alguém. Este, por sua vez, tem em suas mãos o poder de conceituar sua pequena visão como sendo a visão total daquilo que se conceitua. Com este conceito lançado à Pós-Modernidade seria mais fácil trabalhar com Tillich os conceitos reducionistas de cada um buscando na relativização um absoluto comum em tudo. Sabendo que Cristo é aquele que influencia em tudo respeitando, de forma paradoxal a autonomia humana, um ponto em comum e objetivo pode ser percebido e valorizado. Talvez assim as barreiras do preconceito e das convenções injustas possam ser vencidas.

Talvez a convenção que mais tem rendido discussões é aquela a respeito da Salvação. Livre-arbítrio e predestinação, de Armínio e Calvino respectivamente têm levantado diversas discussões no âmbito da pessoa de Deus. Seria Deus um ser que não tem compromisso com a sua criação e um relapso, ou então seria Ele um manipulador de marionetes? Até aonde a liberdade do homem tem seu papel e limite? Por mais estranho que seja o conceito de vida em Tillich, seria interessante a releitura dos três conceitos distintos de vida (autonomia, heteronomia e teonomia). Num mundo onde a liberdade de expressão perdeu seu rumo e sentido seria interessante estes conceitos que mostram até aonde vai a liberdade do homem e a não-intervenção de Deus.

Por fim a religião. Este tema tem que sentido hoje? É relevante? Seria o mesmo conceito dado na Idade Média o que está em voga hoje? Aliás, religião é algo pertinente para o mundo hoje? A falta de diálogo entre fé e razão fez com que o termo “religião” perdesse seu sentido e “magia”. Ou talvez não tenha perdido seu sentido. Pode ser que novas características tenham sido agregadas a este termo. Seja um, seja outro, o que deve ser praticado e apresentado é aquilo que une pessoas em amor. A Modernidade disse que não precisava de Deus, já que este era apenas mito. Porém, sua razão andou caducando por aí. Por isso, que sabe o mito não queira mostrar que seu título não é este, mas sim “incondicionado”? 

CONCLUSÃO

Falar de Tillich é falar de antíteses. Longe de ser o ponto final ele é considerado uma vírgula e uma nota de rodapé em se tratando de pensamentos. Sua ousadia e determinação o faz digno do título doutor e merecedor de apreciações teológicas. É notável sua indispensável presença no meio pós-moderno já que nesta reina a diversidade. Sua importância é notável também em sua forma de sistematização da fé cristã, já que conta de um diálogo com o Modernismo e não de uma fundamentação isolada e covarde. Tillich é um marco no desfecho da Modernidade e o início de um pensamento futurista, onde se for levado a sério, grandes dogmas da igreja virão a ser mudados e até mesmo retirados. Sua relevância no meio acadêmico é de grande valor e só aqueles que têm a coragem de ser si próprios leriam suas obras.

REFERÊNCIAS DA PESQUISA 

1 Cf. GIBELLINI, Rosino. A Teologia do século XX. p. 83.
2 Cf. NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra. p. 8.
3 Segundo sua pregação do Salmo 139.
4 Cf. GIBELLINI, Rosino. A Teologia do século XX. p. 85.
5 Termo Kantiano, mas muito usado por Tillich em suas obras.
6 Cf. Texto do Cláudio Carvalhaes no site: www.teologiabrasileira.com.br/Materia.asp?MateriaID=173.
7 Cf. TILLICH, Paul. Perspectivas da Teologia Protestante nos séculos XIX e XX. São Paulo: ASTE,1986. p.22-26.
8 O desenho aqui usado não está contido em nenhuma obra de Tillich. Este foi usado e desenhado pelo pesquisador do teólogo.
9 Cf. . Acessado no dia 08/março de 2007 13:40hs.
10 Termo kantiano, mas usado por Tillich em seus livros.
11 Cf. GIBELLINI, Rosino. A Teologia do século XX. p. 90.
12 Cf. GIBELLINI, Rosino. A Teologia do século XX. p. 86.
13 Cf. MORAES, Cladismari Zambon de. O conceito de ansiedade em Paul Tillich e na psicanálise. Disponível em: http://br.monografias.com/trabalhos/conceito-ansiedade-paul-tillich-psicanalise/conceito-ansiedade-paul-tillich-psicanalise.shtml#_Toc138908264. Acesso em: 21 mar. 2007.
14 Observar o desenho 01.
15 Cf. http://br.monografias.com/trabalhos/conceito-ansiedade-paul-tillich-psicanalise/conceito-ansiedade-paul-tillich-psicanalise.shtml#_Toc138908264
16 Ibid.
17 Cf. TILLICH, Paul. A coragem de ser. 3.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976. p.28-29.
18 Ibid., p.25-41.
19 Cf. http://br.monografias.com/trabalhos/conceito-ansiedade-paul-tillich-psicanalise/conceito-ansiedade-paul-tillich-psicanalise.shtml#_Toc138908264


Fonte: Blog Cristãos Hoje
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terça-feira, junho 21, 2016

Dia de Morrer!

Sentei na única poltrona cuja vista dá pra algum horizonte.
Horizonte, hoje em dia, é coisa rara.

Tentei encontrar o resquício de sentido que poderia me ocorrer ali, naquele momento.
Sabia que não encontraria.
Continuei com o intento.

Já havia separado a faca mais afiada da casa. Uma que escolhera especialmente para a possibilidade deste dia chegar.
Ali, sentado naquela poltrona, coloquei-a no pulso esquerdo.
Apertei com força, mas ela não evoluiu muito.
Teria que friccionar para que ela avançasse com o sucesso pretendido.
Que agonia que me deu.

Já não basta querer morrer?! Ainda tenho que, no minuto derradeiro, sofrer esta agonia?!
Não consegui fazer a faca correr para baixo e para cima, a fim de me arrancar o pulso.
Não porque quisesse manter-me vivo, mas porque, já que vou morrer mesmo, que seja sem essa paúra.


Punho ferido, mas não aberto. Lembrei-me que havia comprado alguns metros de fio para instalar uma antena pirata em casa, daquelas que pegam todos os canais, sem a necessidade de se pagar assinatura.
Nunca a instalei. Mas os seis ou sete metros de fio estavam lá, guardados no armário de entulhos.
Peguei-os. Como eram muitos metros, dobrei-os em dois, para aumentar a resistência e seu potencial para aguentar meus oitenta e poucos quilos. Enganchei no varal só pra ver se resistiriam. Bingo. Pareciam firmes o bastante.

Era só ir lá fora, amarrar uma ponta do fio no gancho da rede, a outra no meu pescoço e morrer com dignidade.
Abri a porta balcão e tomei um golpe de ar que não veio só.
Sentei no sofá da varanda, entorpecido pelo assalto que acabara de sofrer.
Era só abrir a porta da varanda, amarrar a corda no gancho da rede, passar um nó bem feito em meu pescoço e pular. Era só isso.

Eu só não contava que, com o golpe de ar intransigente, viesse o cheiro do torresmo da Dona Ana, frito exatamente naquele momento.
Minha determinação em morrer foi minada por um odor, um sabor e um compêndio de memórias.

A vida são esses detalhes. Os mais prosaicos. Os mais irrelevantes possíveis.
Viver é experimentar os pequenos sabores, notar os pequenos movimentos, atentar às pequenas expressões, ouvir os sussurros mais singelos, assistir as cenas mais bucólicas.
Viver é perceber. E só...


J
oguei o fio no chão, estiquei a rede, degustei um pouco mais daquele cheiro e adormeci.
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Entrega no Getsêmani

"E lhes disse: 'A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal. Fiquem aqui e vigiem'." (Marcos 14:34)

Você já se sentiu solitário? Você já sentiu como se os seus amigos e família tivessem lhe abandonado? Você já se sentiu como se estivesse mal interpretado? Já teve dificuldade em entender ou se submeter à vontade de Deus para sua vida?

Se assim for, então você tem uma noção do que o Senhor Jesus passou quando agonizou no Getsêmani.

Hebreus nos diz: "pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim sendo, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade" (4:15-16).

A Bíblia nos diz que Jesus era "um homem de tristezas e familiarizado com o sofrimento" (Isaías 53:3). Mas a verdadeira tristeza Ele experimentou no Getsêmani. A noite antes de sua crucificação parecia ser o ponto culminante de toda a tristeza que ele nunca havia conhecido e teria seu apogeu no dia seguinte. O triunfo final que estava por acontecer no Calvário foi realizado primeiramente debaixo das oliveiras retorcidas de Getsêmani.

É interessante que a própria palavra Getsêmani significa "prensa de azeite". Azeitonas foram pressionadas lá para fazer óleo e, verdadeiramente, Jesus estava sendo pressionado por todos os lados para que pudesse trazer vida para nós. Não acho que podemos sequer começar a entender o que estava se passando.

Mas olhe para o que Ele fez. Ele trouxe a sua e a minha salvação. Por causa do que Jesus passou no Getsêmani e, finalmente, na cruz, podemos invocar o Seu nome. Apesar de ter sido uma transição extremamente dolorosa, terrível, era necessário que o objetivo final fosse alcançado.

Talvez você esteja passando por uma crise em sua vida agora, um Getsêmani pessoal, se você assim o definir. Você tem a sua vontade; sabe o que quer. No entanto, você pode sentir que a vontade de Deus é diferente.

Você deixaria o Senhor escolher para você? Você estaria disposto a dizer: "Senhor, estou submetendo a minha vontade à Sua"? Você não vai se arrepender de tomar essa decisão.

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